terça-feira, 26 de maio de 2009
JOÃO SEMANA
João Semana
01.01.01
Novo (s) Cemitério (s) em Ovar
Na reunião Camarária de 28/11, foi apresentado pelo Vereador (Presidente da C.M.O. Dr. Armando França) Augusto Rodrigues uma proposta para a construção de dois novos cemitérios em Ovar: um no Furadouro e outro no Torrão do Lameiro …
15.01.01
A Sociedade de Padarias “Central de Ovar, Ldª.”
Após 38 anos de labor, tudo fazia prever que esta Sociedade de Padarias fechasse em 31 de Dezembro, deixando sem trabalho cerca de 40 empregados.
Fundada em 1962, quando 13 proprietários se reuniram obedecendo a uma exigência do Estado Novo que obrigava à concentração das padarias existentes num raio de 18 km …
15.01.01
Menos uma passagem de nível
Sem grandes alaridos prévios – nem posteriores -, fechou ao trânsito a passagem de nível de S. João, considerada, durante décadas, a principal entrada na cidade de Ovar …
15.01.01
Remodelação da Avenida da Régua
Custará cerca de 300 mil contos a remodelação da Avenida da Régua que deverá iniciar-se ainda este ano. Prevê-se a manutenção das suas árvores e a criação de pistas separadas para ciclistas e peões.
01.03.01
TEATRO OVARENSE
Documento para a sua história
(…) 1. – O edifício do Teatro Ovarense è propriedade da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ovar e encontra-se actualmente quase desactivado no que diz respeito às performativas.
01.04.01
OVAR. A MAIOR CHEIA DE SEMPRE
Chuvas diluvianas que se abateram no litoral do País (…) No dia 21, o centro de Ovar houve verdadeiro caos, com lojas e casas inundadas, chegando a água a alturas imprevisíveis …
01.04.01
Património Arquitectónico
A celebração do Dia Nacional cós Centros Históricos terminou com um colóquio organizado pelo PAO – Património Arquitectónico de Ovar, na noite de 30 de Março na Biblioteca, com uma sessão em que intervieram os Professores Fernando Manuel Cardoso e Manuel Cleto, com a apresentação de trabalhos da Oficina do Azulejo.
01.04.01
Óbito:
António “do Campo”
Morreu um Homem
(…) Se há homens a quem podemos chamar santo, António Ferreira Bastos, era, seguramente, um desses homens. Nascido a 21 de Junho de 1904 no lugar de Azagães, freguesia de Carregosa, Concelho de Oliveira de Azeméis, e tendo vivido a adolescência e a juventude em Loureiro, do mesmo Concelho, viria a prestar serviço militar em Ovar, no ano de 1925 (…) decidiu ficar por Ovar. Foi fiel de Armazém na antiga fábrica de tijolos SIOL (Mateiro) e, a convite do Sr. António Coelho, em 1937 passou a exercer as funções de contínuo na Associação Desportiva Ovarense, actividade que desempenhou até meados dos anos 80…
01.04.01
Santa Camarão (1902/1968)
VAMOS PREPARAR O SEU CENTENÁRIO
Artigo por José Maria da Graça
15.04.01
UMA FONTE A RECUPERAR
(…) A Rua da Fonte (actualmente denominada Rua Alexandre Herculano), razão que vem do facto de ali se situar uma fonte pública que abasteceu ao longo dos séculos, a população local, e que em finais do século XIX foi integrada no plano de abastecimento de água, em Ponte Reada, até ao chafariz de Neptuno, na Praça …
(…) E acrescentamos que na mesma rua existem várias outras fontes particulares – uma das quais, a poucos metros da citada, é conhecida como fonte da Samaritana, do nome de uma das sucessivas proprietárias …
Mas voltemos à Rua da Fonte e à nascente que lhe deu o nome, situada entre a casa que foi primeiro do Capitão Belmiro, depois do Dr. Lourenço Medeiros, que ali criou um colégio, e ultimamente da família Bessa Campos, e a da família Vidal …
Padre Manuel Pires Bastos (inclui o texto duas fotos)
01.05.01
Óbito:
Francisco José Correia de Almeida
Agradecimento e Missa do 30º dia
15.05.01
Óbito:
Carlos de Oliveira Dias
(da Rua Vasco da Gama, do bairro do Lamarão. Arrais de uma das companhas da arte Xávega do Furadouro)
01.06.01
Reabertura do Museu de Ovar
Reabre em 1 de Junho, pelas 21h30, o Museu de Ovar, com uma Exposição de Trabalhos da Oficina de Azulejo Integrada no Projecto P.A.O., da escola EB 2, 3 António Dias Simões.
As obras de restauro que constituem um valor acrescentado para o Museu e para os seus visitantes, foram mais demoradas do que se previa …
01.05.01
Óbito
Irene Dias de Oliveira (Galinheira)
01.01.01
Novo (s) Cemitério (s) em Ovar
Na reunião Camarária de 28/11, foi apresentado pelo Vereador (Presidente da C.M.O. Dr. Armando França) Augusto Rodrigues uma proposta para a construção de dois novos cemitérios em Ovar: um no Furadouro e outro no Torrão do Lameiro …
15.01.01
A Sociedade de Padarias “Central de Ovar, Ldª.”
Após 38 anos de labor, tudo fazia prever que esta Sociedade de Padarias fechasse em 31 de Dezembro, deixando sem trabalho cerca de 40 empregados.
Fundada em 1962, quando 13 proprietários se reuniram obedecendo a uma exigência do Estado Novo que obrigava à concentração das padarias existentes num raio de 18 km …
15.01.01
Menos uma passagem de nível
Sem grandes alaridos prévios – nem posteriores -, fechou ao trânsito a passagem de nível de S. João, considerada, durante décadas, a principal entrada na cidade de Ovar …
15.01.01
Remodelação da Avenida da Régua
Custará cerca de 300 mil contos a remodelação da Avenida da Régua que deverá iniciar-se ainda este ano. Prevê-se a manutenção das suas árvores e a criação de pistas separadas para ciclistas e peões.
01.03.01
TEATRO OVARENSE
Documento para a sua história
(…) 1. – O edifício do Teatro Ovarense è propriedade da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ovar e encontra-se actualmente quase desactivado no que diz respeito às performativas.
01.04.01
OVAR. A MAIOR CHEIA DE SEMPRE
Chuvas diluvianas que se abateram no litoral do País (…) No dia 21, o centro de Ovar houve verdadeiro caos, com lojas e casas inundadas, chegando a água a alturas imprevisíveis …
01.04.01
Património Arquitectónico
A celebração do Dia Nacional cós Centros Históricos terminou com um colóquio organizado pelo PAO – Património Arquitectónico de Ovar, na noite de 30 de Março na Biblioteca, com uma sessão em que intervieram os Professores Fernando Manuel Cardoso e Manuel Cleto, com a apresentação de trabalhos da Oficina do Azulejo.
01.04.01
Óbito:
António “do Campo”
Morreu um Homem
(…) Se há homens a quem podemos chamar santo, António Ferreira Bastos, era, seguramente, um desses homens. Nascido a 21 de Junho de 1904 no lugar de Azagães, freguesia de Carregosa, Concelho de Oliveira de Azeméis, e tendo vivido a adolescência e a juventude em Loureiro, do mesmo Concelho, viria a prestar serviço militar em Ovar, no ano de 1925 (…) decidiu ficar por Ovar. Foi fiel de Armazém na antiga fábrica de tijolos SIOL (Mateiro) e, a convite do Sr. António Coelho, em 1937 passou a exercer as funções de contínuo na Associação Desportiva Ovarense, actividade que desempenhou até meados dos anos 80…
01.04.01
Santa Camarão (1902/1968)
VAMOS PREPARAR O SEU CENTENÁRIO
Artigo por José Maria da Graça
15.04.01
UMA FONTE A RECUPERAR
(…) A Rua da Fonte (actualmente denominada Rua Alexandre Herculano), razão que vem do facto de ali se situar uma fonte pública que abasteceu ao longo dos séculos, a população local, e que em finais do século XIX foi integrada no plano de abastecimento de água, em Ponte Reada, até ao chafariz de Neptuno, na Praça …
(…) E acrescentamos que na mesma rua existem várias outras fontes particulares – uma das quais, a poucos metros da citada, é conhecida como fonte da Samaritana, do nome de uma das sucessivas proprietárias …
Mas voltemos à Rua da Fonte e à nascente que lhe deu o nome, situada entre a casa que foi primeiro do Capitão Belmiro, depois do Dr. Lourenço Medeiros, que ali criou um colégio, e ultimamente da família Bessa Campos, e a da família Vidal …
Padre Manuel Pires Bastos (inclui o texto duas fotos)
01.05.01
Óbito:
Francisco José Correia de Almeida
Agradecimento e Missa do 30º dia
15.05.01
Óbito:
Carlos de Oliveira Dias
(da Rua Vasco da Gama, do bairro do Lamarão. Arrais de uma das companhas da arte Xávega do Furadouro)
01.06.01
Reabertura do Museu de Ovar
Reabre em 1 de Junho, pelas 21h30, o Museu de Ovar, com uma Exposição de Trabalhos da Oficina de Azulejo Integrada no Projecto P.A.O., da escola EB 2, 3 António Dias Simões.
As obras de restauro que constituem um valor acrescentado para o Museu e para os seus visitantes, foram mais demoradas do que se previa …
01.05.01
Óbito
Irene Dias de Oliveira (Galinheira)
HOMENAGEM AO MANUEL CASCAIS DE PINHO
Museu de Ovar homenageia ilustre ovarense
Em memória de Manuel Cascais de Pinho
Recentemente foi homenageado um homem grandiosamente simples. A distinção a Manuel Cascais de Pinho foi proporcionada pelo Museu de Ovar, como reconhecimento a um ovarense de alma e coração.O Museu de Ovar homenageou um homem grandiosamente simples — Manuel Cascais de Pinho — com o descerramento de uma lápide na sala de exposições.Coube ao presidente da instituição museológica, prof. Brandão, pronunciar algumas palavras de homenagem — deliberada por unanimidade em reunião de direcção — à memória deste ilustre ovarense. De sublinhar que estavam presentes, para além dos diversos elementos dos órgãos sociais do Museu, a Dr.ª Deolinda Cascais, que agradeceu a distinção feita a seu padrinho, e a vereadora da Cultura, Conceição Vasconcelos. A autarca considerou, então, o homenageado como “um grande ovarense” e que “estará para breve a reabertura da Casa-Museu Júlio Dinis”, encerrada desde Janeiro de 2004 para obras de remodelação.Manuel Cascais de Pinho deixa espólio dinisianoJá o Dr. Manuel Bernardo, também da Biblioteca, congratulou-se pelo acto, recordando o trabalho de pesquisa e de recolha realizado, ao longo dos anos, sobre a vida e a obra de Júlio Dinis.Importa salientar, também, que Manuel Cascais de Pinho entregou, à Câmara Municipal de Ovar, com destino à Casa-Museu Júlio Dinis, um importante espólio dinisiano.Esta ‘simples’ homenagem constituiu-se num acto ímpar, manifestação de reconhecimento de Ovar a um dos ‘seus filhos’ do qual se deve orgulhar. Tratou-se da distinção a um homem que soube interpretar a delicada sensibilidade da gente vareira, enamorado por sua terra e um saudável conversador.(baseado em artigo de António Ferreira Valente)
Em memória de Manuel Cascais de Pinho
Recentemente foi homenageado um homem grandiosamente simples. A distinção a Manuel Cascais de Pinho foi proporcionada pelo Museu de Ovar, como reconhecimento a um ovarense de alma e coração.O Museu de Ovar homenageou um homem grandiosamente simples — Manuel Cascais de Pinho — com o descerramento de uma lápide na sala de exposições.Coube ao presidente da instituição museológica, prof. Brandão, pronunciar algumas palavras de homenagem — deliberada por unanimidade em reunião de direcção — à memória deste ilustre ovarense. De sublinhar que estavam presentes, para além dos diversos elementos dos órgãos sociais do Museu, a Dr.ª Deolinda Cascais, que agradeceu a distinção feita a seu padrinho, e a vereadora da Cultura, Conceição Vasconcelos. A autarca considerou, então, o homenageado como “um grande ovarense” e que “estará para breve a reabertura da Casa-Museu Júlio Dinis”, encerrada desde Janeiro de 2004 para obras de remodelação.Manuel Cascais de Pinho deixa espólio dinisianoJá o Dr. Manuel Bernardo, também da Biblioteca, congratulou-se pelo acto, recordando o trabalho de pesquisa e de recolha realizado, ao longo dos anos, sobre a vida e a obra de Júlio Dinis.Importa salientar, também, que Manuel Cascais de Pinho entregou, à Câmara Municipal de Ovar, com destino à Casa-Museu Júlio Dinis, um importante espólio dinisiano.Esta ‘simples’ homenagem constituiu-se num acto ímpar, manifestação de reconhecimento de Ovar a um dos ‘seus filhos’ do qual se deve orgulhar. Tratou-se da distinção a um homem que soube interpretar a delicada sensibilidade da gente vareira, enamorado por sua terra e um saudável conversador.(baseado em artigo de António Ferreira Valente)
PROF.EGAS MONIZ E JÚLIO DINIS
Prof. Egas Moniz e Júlio DinisFoi à Ciência Médica que o Prof. Egas Moniz deu o máximo da sua vida e, altíssimo embaixador da cultura literária e científica de Portugal.Natural de Avanca, obrigatoriamente passava por Ovar, a caminho do Furadouro, ou Torreira e, mo Lugar dos Campos o seu olhar ia precisamente para aquela casinha de linhas simples, onde em 1863, Joaquim Guilherme Coelho, esteve hospedado durante quatro meses.Esta casa e Ovar tiveram um efeito positivo neste período difícil na vida de Júlio Dinis, na desolação pelo infortúnio que também lhe tinha batido à porta, até à ilusão das melhoras.O Prof. Egas Moniz batalhou com bastante insistência, pela concretização desse “sonho” que tinha em vista, sugeriu às forças vivas de Ovar, mas com grande tristeza e mágoa viveu o resto da sua vida, ao reparar no desinteresse total por esse projecto. Essa ideia de que a casa se torna-se num espaço único para a comunidade ovarense, local de homenagem ao escritor Júlio Dinis, como fonte de memórias, desse Ovar que o prende e o encantou, um ponto de encontro de “tertúlias de cultura, não encontrou eco infelizmente.Como diria o Prof. Egas Moniz (…) “Ligações de família o arrastaram até Ovar, paredes-meias da minha aldeia. Ali gisou dois dos seus mais belos romances: As Pupilas do Senhor Reitor e A Morgadinha dos Canaviais… páginas escritas, por certo, num certo, num surto febril de tuberculose que o ia minando. Por elas se vê que a actividade literária no curto período que esteve em Ovar onde tanto escreveu, andava aguilhada por forças imperiosas. Assim pôde trazer daquelas paragens, bastos elementos para a obra que conseguiu levar a bom termo”.Ao recordar estas duas figuras de enorme estatura, é um dever, no momento de mais uma passagem do 167º Anivº. do nascimento de Júlio Dinis, e não vem a despropósito também aqui e agora de fazermos uma vénia a um ovarense, recentemente falecido, um dinisiano de coração, que conviveu de perto com o Prof. Egas Moniz, pela concretização desses “sonhos” e das decepções. Falo do ovarense Manuel Cascais de Pinho que só em 1996 pôde assistir, em parte, da concretização da abertura da casa do Largo dos Campos, num espaço dinisiano, mas já com a perda irremediável da maior parte do espólio.Passados quase três anos, do encerramento da Casa Museu Júlio Dinis, para obras de recuperação, que se encontrava num avançado estado de degradação, é caso para ficarmos preocupados por toda esta demora. Tomara que a C.M.O. tome em mãos para o inicio das obras da casa e, acção imediata de evitar a eminente derrocada do telheiro, que a acontecer causará irreparáveis danos às lajes do tanque a preservar como elemento museológico.Com este apelo, vou terminar citando um enxerto do poema do grande Guerra Junqueiro:«A vida é uma farsada!Por conseguinte é rir, até que um dia o nadaVenha tapar com terra, a vossa boca impura!É voar, é voar, na asa da loucura».António Valente
EVOLUÇÃO LITERÁRIA DE JÚLIO DINIS

Ovar na evolução literária de Júlio Dinis
O Dr. Joaquim Guilherme Gomes Coelho, que usou o pseudónimo de Júlio Dinis, faleceu à uma hora do dia 12 de Setembro de 1871, depois de uma longa agonia de três quartos de hora, em casa de seu primo José Joaquim Pinto Coelho, na Rua Costa Cabral, n° 323, no Porto, onde também esteve presente nestes últimos momentos o seu amigo Custódio Passos (irmão do poeta portuense ultra-romântico Soares de Passos, autor do "Noivado do Sepulcro"). Foi sepultado no cemitério que então havia junto da Igreja de Cedofeita. Com a extinção deste cemitério, em 20 de Agosto de 1888, foram transladados os restos mortais do escritor, assim como os de seu irmão José Joaquim Gomes Coelho Júnior, para o jazigo n.° 58 do cemitério privativo da Ordem de São Francisco, em Agramonte, onde já estava sepultado seu pai, José Joaquim Gomes Coelho, irmão daquela Ordem, da qual também fora médico (o pai faleceu em Lisboa, em casa de sua neta Ana, no dia 21 de Julho de 1885). Em 1939, o 1º Centenário do nascimento do escritor Júlio Dinis foi comemorado com forte adesão popular e de várias instituições portuenses, com iniciativas próprias, que culminou com a romagem que partiu da entrada do Palácio de Cristal, para o cemitério de Agramonte, com uma enorme moldura humana que cobria a campa humilde, onde estão pai e filhos, que repousam para a eternidade. Actualmente, este pequeno jazigo é pouco frequentado, para não dizer esquecido. Apenas raramente, no dia de finados, algum anónimo vai depor algumas flores. Sinto um desgosto profundo quando visito este túmulo, apesar de já ter denunciado que há anos permanece na mesma. Lamento a desastrosa intervenção efectuada, na intenção de tornar visíveis os caracteres, que levou à adulteração ridícula das quadras de Soares de Passos dedicadas a José Joaquim Gomes Coelho Júnior, que faleceu em Dezembro de 1855, com 20 anos. Joaquim Guilherme Gomes Coelho (Júlio Dinis), enamorado por Ovar, onde permaneceu em 1863 por um período de quatro meses, na casa modesta de sua tia Rosa Zagalo, e em outras breves passagens posteriores, aqui encontrou motivos para escrever. Ovar, com o decorrer dos dias que iam passando, foi-lhe dando elementos, desde a ida ao Furadouro que o inspira a escrever "O Canto da Sereia", à intensa correspondência enviada e recebida, até à criação das suas obra-primas, "As Pupilas do Senhor Reitor" e "A Morgadinha dos Canaviais". Em Ovar, o seu coração também foi tocado, quando confrontado com os primeiros encontros com Ana Simões, uma das filhas do Tomé Simões, casa que Júlio Dinis passou a frequentar com maior regularidade. "Venceste meu coração com subtil arte de amor", dedicatória gravada a seu pedido num coração de madrepérola, que num momento único e íntimo ofereceu a D. Ana Soares Barbosa Simões, personagem retratada na Margarida de "As Pupilas do Senhor Reitor". Esta jóia resistiu ao tempo, e o acervo de Júlio Dinis encontra-se instalado no Museu de História da Medicina "Maximiano Lemos", na sala José Carlos Lopes, na Faculdade de Medicina do Porto, 6º piso do Hospital de S. João, no Porto. A mesma sorte não tiveram as cartas enviadas por Júlio Dinis, pois D. Ana Simões, sentindo a vida extinguir-se, pediu à sua filha Emília para queimar as mesmas.Que perda irreparável! As cartas contribuíriam para dissipar este grande enigma que alguns teimam em recusar, da possível paixão por D. Ana Simões. Ou então a hipótese mais provável da ida de Júlio Dinis, com familiares e conhecidos, do lugar dos Campos na tradicional e tão popular romaria de devoção à Nossa Senhora da Saúde, Vale de Cambra, "tão alto que a Senhora da Saúde é vista por quem anda no mar. Os pescadores, em hora de aflição, viram-se para a santa e prometem pagar a ajuda divina. É por isso que os peregrinos são conhecidos por «vareiros»". Senão, vejamos, aquando da visita de dois dos seus melhores amigos vindos do Porto, o poeta Augusto Luso e o Custódio Passos, estes não encontram Júlio Dinis na casa dos Campos; estava ausente.Por tudo isto, e até por outros tantos episódios interessantes, existem indicadores claros e evidentes da importância que Ovar veio a ter na vida literária de Júlio Dinis. É bom lembrar de que "Uma Família de Ingleses" se encontrava há anos metido numa gaveta e só perante o êxito que tem "As Pupilas do Senhor Reitor" (no ano de 1866 saiu em episódios no "Jornal do Porto"), após ter regularizado o seu projecto pessoal, ao ser integrado na Escola Médica do Porto onde leccionou, é que finalmente, em 1867, é impresso "Uma Família de Ingleses", que veio a tornar-se outro êxito literário (a par da outra obra "A Morgadinha de Canaviais", que sai nesse mesmo ano).Decorridos que vão quatro anos e nove meses (desde Janeiro de 2004) a Casa-Museu Júlio Dinis continua, lamentavelmente para Ovar, encerrada "temporariamente para obras de remodelação". Recentemente foi deliberado e aprovado pela C.M.O. o ante-projecto de Requalificação e Ampliação do Museu Júlio Dinis - Uma Casa Ovarense, mas é bom lembrar que este objectivo já é do conhecimento público há meses, sem qualquer resolução à vista e, neste já longo compasso de espera, ainda não se vislumbra um final feliz, com todas as consequências da progressiva degradação que este edifício está sofrendo e, da falta de cuidado por uma limpeza regular ao exterior que dignificasse todo este espaço.A obra de Júlio Dinis é "impregnada de bondade e de beleza, tão doce e tão afável, de tal modo conquistou o agrado do público"."O Homem morrera, mas o Escritor resistiu à morte, pois deixou uma obra que teve o raro condão de eternizar a memória do sublime artista que o concebera!"António Ferreira Valente(Ovar)
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