João Semana
Publicação Quinzenal ANO I – OVAR, 1 DE JANEIRO DE 1914 – Nº 1
Director e Editor: J. M. Maia de Resende
Proprietário e Administrador: M. Ferreira Regalado
Redacção e Administração: Largo de S. Miguel – Ovar
Aprovado por S. Ex.ª. Rever. Mo o Sr. D. António Barroso, venerando Bispo do Porto
Composto e Impresso na Typografia a vapor do Padre Villela & Irmão – Braga – 10 reis
01.01.14
JOÃO SEMANA
Não é este um nome desconhecido em Ovar, nem, posto no frontispício dum jornal, pode ser achado como um nome de guerra… – Mas então quem era o João Semana? Perguntará alguém. É um nome literário, dizemos nós, dos mais atraentes que se lêem nas páginas dos romances portugueses … Ouçam o que diz o Almanaque de Ovar para 1913: «É esta uma das figuras mais simpáticas e mais fielmente copiadas do natural que aparecem no lindo poema em prosa que todos aí conhecem sob o nome de “Pupilas do Senhor Reitor”.
Júlio Diniz, o suave paisagista das lindas aldeias do norte de Portugal, o terno colorista das belezas rústicas desses povoados humildes, o que mais tem encarnado no romance a feição sentimental da genuína alma popular portuguesa, achou um dia em Ovar esse tipo, que ele retratou em tamanho natural, em corpo e alma, fielmente.
João Semana, que todos os amantes de boa leitura, tanto devem ter amado e admirado nas páginas das “Pupilas…”, obra-prima da nossa literatura: essa bondosa e popular figura de médico, que os seus doentes consultavam sem cerimónia, na rua, ao vê-lo passar-lhes à porta; quase comovia ante a pobreza e miséria e ocultava debaixo de umas aparências de homem brusco e rude a mais adorável delicadeza de sentimento, existiu, aí…
Desta rudeza franca e desta delicadeza alma que são apanágio dos bons e dos sinceros, é que nós queremos seja espelho o nosso humilde semanário, aliados à intransigência anti-modernista de João Semana.
01.01.14 (QUINTA)
A IMAGEM DE NOSSA SENHORA DA GRAÇA DE OVAR
Frei Agostinho de Santa Maria refere no seu Marial uma interessante lenda acerca da Imagem de Nossa Senhora da Graça. Diz ele que na vila de Ovar de cima, bispado do Porto, logo abaixo da Igreja Matriz, entre dois regatos, junto da ponte onde estes se incorporam, apareceu uma imagem de Maria Santíssima a que deram o nome de Senhora da Graça. Aparecera a Imagem entre espessa moita de árvores, sobre um penedo. Aos pés tinha uma inscrição em que se lia que a Senhora ordenava que edificassem um templo, que ela em paga livraria o povo de Ovar da peste que então grassara no país. Os moradores da vila muito contentes, foram ter com o pároco, contar-lhe o que viram e este resolveu que a imagem fosse conduzida para a Igreja Matriz. Assim fizeram. Mas no dia seguinte a imagem tornara a aparecer entre as árvores junto à ponte. Aconteceu isto por diversas vezes. Convenceu-se então toda a população da vila que Nossa Senhora desejava efectivamente que sua Imagem ficasse ali e trataram de construir uma capela. Ali começou a Santíssima Virgem a ser venerada com grande devoção a amor. A capela era muito linda. Toda guarnecida interiormente de azulejo, tinha o tecto decorado com belos quadros bíblicos de bom pincel, em sola. Os dois altares laterais bem como os principais eram de talha rica, que ainda hoje se conserva na nova capela edificada há poucos anos no sítio onde existiu a outra que esse tempo da nova edificação foi demolido. A Imagem já está ainda linda e perfeita não obstante ter sido em tempos despojada de certos adornos que o povo tirava e levava como relíquias.
15.01.14
AS POMBAS
Voai oh pombas, caminhai ligeiras,
Correi velozes nesse eterno véu
Levai convosco, gentis mensageiras,
Esta minh’alma que procura o céu!
Levai convosco para lá minha alma,
Do vendaval esta batida flor,
À região auri-fulgente e calma
Para a morada d’um eterno amor!
Correis dispersas entre azul e linho,
O Sol doirado ides além saudar,
Voltai contentes ao materno ninho
Quando ele à tarde s’esconder no mar.
terça-feira, 26 de maio de 2009
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