terça-feira, 26 de maio de 2009

VIDA
















JOÃO SEMANA

João Semana

01.01.01
Novo (s) Cemitério (s) em Ovar
Na reunião Camarária de 28/11, foi apresentado pelo Vereador (Presidente da C.M.O. Dr. Armando França) Augusto Rodrigues uma proposta para a construção de dois novos cemitérios em Ovar: um no Furadouro e outro no Torrão do Lameiro …
15.01.01
A Sociedade de Padarias “Central de Ovar, Ldª.”
Após 38 anos de labor, tudo fazia prever que esta Sociedade de Padarias fechasse em 31 de Dezembro, deixando sem trabalho cerca de 40 empregados.
Fundada em 1962, quando 13 proprietários se reuniram obedecendo a uma exigência do Estado Novo que obrigava à concentração das padarias existentes num raio de 18 km …
15.01.01
Menos uma passagem de nível
Sem grandes alaridos prévios – nem posteriores -, fechou ao trânsito a passagem de nível de S. João, considerada, durante décadas, a principal entrada na cidade de Ovar …
15.01.01
Remodelação da Avenida da Régua
Custará cerca de 300 mil contos a remodelação da Avenida da Régua que deverá iniciar-se ainda este ano. Prevê-se a manutenção das suas árvores e a criação de pistas separadas para ciclistas e peões.
01.03.01
TEATRO OVARENSE
Documento para a sua história
(…) 1. – O edifício do Teatro Ovarense è propriedade da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ovar e encontra-se actualmente quase desactivado no que diz respeito às performativas.
01.04.01
OVAR. A MAIOR CHEIA DE SEMPRE
Chuvas diluvianas que se abateram no litoral do País (…) No dia 21, o centro de Ovar houve verdadeiro caos, com lojas e casas inundadas, chegando a água a alturas imprevisíveis …
01.04.01
Património Arquitectónico
A celebração do Dia Nacional cós Centros Históricos terminou com um colóquio organizado pelo PAO – Património Arquitectónico de Ovar, na noite de 30 de Março na Biblioteca, com uma sessão em que intervieram os Professores Fernando Manuel Cardoso e Manuel Cleto, com a apresentação de trabalhos da Oficina do Azulejo.
01.04.01
Óbito:
António “do Campo”
Morreu um Homem
(…) Se há homens a quem podemos chamar santo, António Ferreira Bastos, era, seguramente, um desses homens. Nascido a 21 de Junho de 1904 no lugar de Azagães, freguesia de Carregosa, Concelho de Oliveira de Azeméis, e tendo vivido a adolescência e a juventude em Loureiro, do mesmo Concelho, viria a prestar serviço militar em Ovar, no ano de 1925 (…) decidiu ficar por Ovar. Foi fiel de Armazém na antiga fábrica de tijolos SIOL (Mateiro) e, a convite do Sr. António Coelho, em 1937 passou a exercer as funções de contínuo na Associação Desportiva Ovarense, actividade que desempenhou até meados dos anos 80…
01.04.01
Santa Camarão (1902/1968)
VAMOS PREPARAR O SEU CENTENÁRIO
Artigo por José Maria da Graça
15.04.01
UMA FONTE A RECUPERAR
(…) A Rua da Fonte (actualmente denominada Rua Alexandre Herculano), razão que vem do facto de ali se situar uma fonte pública que abasteceu ao longo dos séculos, a população local, e que em finais do século XIX foi integrada no plano de abastecimento de água, em Ponte Reada, até ao chafariz de Neptuno, na Praça …
(…) E acrescentamos que na mesma rua existem várias outras fontes particulares – uma das quais, a poucos metros da citada, é conhecida como fonte da Samaritana, do nome de uma das sucessivas proprietárias …
Mas voltemos à Rua da Fonte e à nascente que lhe deu o nome, situada entre a casa que foi primeiro do Capitão Belmiro, depois do Dr. Lourenço Medeiros, que ali criou um colégio, e ultimamente da família Bessa Campos, e a da família Vidal …
Padre Manuel Pires Bastos (inclui o texto duas fotos)
01.05.01
Óbito:
Francisco José Correia de Almeida
Agradecimento e Missa do 30º dia
15.05.01
Óbito:
Carlos de Oliveira Dias
(da Rua Vasco da Gama, do bairro do Lamarão. Arrais de uma das companhas da arte Xávega do Furadouro)
01.06.01
Reabertura do Museu de Ovar
Reabre em 1 de Junho, pelas 21h30, o Museu de Ovar, com uma Exposição de Trabalhos da Oficina de Azulejo Integrada no Projecto P.A.O., da escola EB 2, 3 António Dias Simões.
As obras de restauro que constituem um valor acrescentado para o Museu e para os seus visitantes, foram mais demoradas do que se previa …
01.05.01
Óbito
Irene Dias de Oliveira (Galinheira)

JÚLIO DINIS




HOMENAGEM AO MANUEL CASCAIS DE PINHO

Museu de Ovar homenageia ilustre ovarense
Em memória de Manuel Cascais de Pinho
Recentemente foi homenageado um homem grandiosamente simples. A distinção a Manuel Cascais de Pinho foi proporcionada pelo Museu de Ovar, como reconhecimento a um ovarense de alma e coração.O Museu de Ovar homenageou um homem grandiosamente simples — Manuel Cascais de Pinho — com o descerramento de uma lápide na sala de exposições.Coube ao presidente da instituição museológica, prof. Brandão, pronunciar algumas palavras de homenagem — deliberada por unanimidade em reunião de direcção — à memória deste ilustre ovarense. De sublinhar que estavam presentes, para além dos diversos elementos dos órgãos sociais do Museu, a Dr.ª Deolinda Cascais, que agradeceu a distinção feita a seu padrinho, e a vereadora da Cultura, Conceição Vasconcelos. A autarca considerou, então, o homenageado como “um grande ovarense” e que “estará para breve a reabertura da Casa-Museu Júlio Dinis”, encerrada desde Janeiro de 2004 para obras de remodelação.Manuel Cascais de Pinho deixa espólio dinisianoJá o Dr. Manuel Bernardo, também da Biblioteca, congratulou-se pelo acto, recordando o trabalho de pesquisa e de recolha realizado, ao longo dos anos, sobre a vida e a obra de Júlio Dinis.Importa salientar, também, que Manuel Cascais de Pinho entregou, à Câmara Municipal de Ovar, com destino à Casa-Museu Júlio Dinis, um importante espólio dinisiano.Esta ‘simples’ homenagem constituiu-se num acto ímpar, manifestação de reconhecimento de Ovar a um dos ‘seus filhos’ do qual se deve orgulhar. Tratou-se da distinção a um homem que soube interpretar a delicada sensibilidade da gente vareira, enamorado por sua terra e um saudável conversador.(baseado em artigo de António Ferreira Valente)

PROF.EGAS MONIZ E JÚLIO DINIS

Prof. Egas Moniz e Júlio DinisFoi à Ciência Médica que o Prof. Egas Moniz deu o máximo da sua vida e, altíssimo embaixador da cultura literária e científica de Portugal.Natural de Avanca, obrigatoriamente passava por Ovar, a caminho do Furadouro, ou Torreira e, mo Lugar dos Campos o seu olhar ia precisamente para aquela casinha de linhas simples, onde em 1863, Joaquim Guilherme Coelho, esteve hospedado durante quatro meses.Esta casa e Ovar tiveram um efeito positivo neste período difícil na vida de Júlio Dinis, na desolação pelo infortúnio que também lhe tinha batido à porta, até à ilusão das melhoras.O Prof. Egas Moniz batalhou com bastante insistência, pela concretização desse “sonho” que tinha em vista, sugeriu às forças vivas de Ovar, mas com grande tristeza e mágoa viveu o resto da sua vida, ao reparar no desinteresse total por esse projecto. Essa ideia de que a casa se torna-se num espaço único para a comunidade ovarense, local de homenagem ao escritor Júlio Dinis, como fonte de memórias, desse Ovar que o prende e o encantou, um ponto de encontro de “tertúlias de cultura, não encontrou eco infelizmente.Como diria o Prof. Egas Moniz (…) “Ligações de família o arrastaram até Ovar, paredes-meias da minha aldeia. Ali gisou dois dos seus mais belos romances: As Pupilas do Senhor Reitor e A Morgadinha dos Canaviais… páginas escritas, por certo, num certo, num surto febril de tuberculose que o ia minando. Por elas se vê que a actividade literária no curto período que esteve em Ovar onde tanto escreveu, andava aguilhada por forças imperiosas. Assim pôde trazer daquelas paragens, bastos elementos para a obra que conseguiu levar a bom termo”.Ao recordar estas duas figuras de enorme estatura, é um dever, no momento de mais uma passagem do 167º Anivº. do nascimento de Júlio Dinis, e não vem a despropósito também aqui e agora de fazermos uma vénia a um ovarense, recentemente falecido, um dinisiano de coração, que conviveu de perto com o Prof. Egas Moniz, pela concretização desses “sonhos” e das decepções. Falo do ovarense Manuel Cascais de Pinho que só em 1996 pôde assistir, em parte, da concretização da abertura da casa do Largo dos Campos, num espaço dinisiano, mas já com a perda irremediável da maior parte do espólio.Passados quase três anos, do encerramento da Casa Museu Júlio Dinis, para obras de recuperação, que se encontrava num avançado estado de degradação, é caso para ficarmos preocupados por toda esta demora. Tomara que a C.M.O. tome em mãos para o inicio das obras da casa e, acção imediata de evitar a eminente derrocada do telheiro, que a acontecer causará irreparáveis danos às lajes do tanque a preservar como elemento museológico.Com este apelo, vou terminar citando um enxerto do poema do grande Guerra Junqueiro:«A vida é uma farsada!Por conseguinte é rir, até que um dia o nadaVenha tapar com terra, a vossa boca impura!É voar, é voar, na asa da loucura».António Valente

EVOLUÇÃO LITERÁRIA DE JÚLIO DINIS



Ovar na evolução literária de Júlio Dinis
O Dr. Joaquim Guilherme Gomes Coelho, que usou o pseudónimo de Júlio Dinis, faleceu à uma hora do dia 12 de Setembro de 1871, depois de uma longa agonia de três quartos de hora, em casa de seu primo José Joaquim Pinto Coelho, na Rua Costa Cabral, n° 323, no Porto, onde também esteve presente nestes últimos momentos o seu amigo Custódio Passos (irmão do poeta portuense ultra-romântico Soares de Passos, autor do "Noivado do Sepulcro"). Foi sepultado no cemitério que então havia junto da Igreja de Cedofeita. Com a extinção deste cemitério, em 20 de Agosto de 1888, foram transladados os restos mortais do escritor, assim como os de seu irmão José Joaquim Gomes Coelho Júnior, para o jazigo n.° 58 do cemitério privativo da Ordem de São Francisco, em Agramonte, onde já estava sepultado seu pai, José Joaquim Gomes Coelho, irmão daquela Ordem, da qual também fora médico (o pai faleceu em Lisboa, em casa de sua neta Ana, no dia 21 de Julho de 1885). Em 1939, o 1º Centenário do nascimento do escritor Júlio Dinis foi comemorado com forte adesão popular e de várias instituições portuenses, com iniciativas próprias, que culminou com a romagem que partiu da entrada do Palácio de Cristal, para o cemitério de Agramonte, com uma enorme moldura humana que cobria a campa humilde, onde estão pai e filhos, que repousam para a eternidade. Actualmente, este pequeno jazigo é pouco frequentado, para não dizer esquecido. Apenas raramente, no dia de finados, algum anónimo vai depor algumas flores. Sinto um desgosto profundo quando visito este túmulo, apesar de já ter denunciado que há anos permanece na mesma. Lamento a desastrosa intervenção efectuada, na intenção de tornar visíveis os caracteres, que levou à adulteração ridícula das quadras de Soares de Passos dedicadas a José Joaquim Gomes Coelho Júnior, que faleceu em Dezembro de 1855, com 20 anos. Joaquim Guilherme Gomes Coelho (Júlio Dinis), enamorado por Ovar, onde permaneceu em 1863 por um período de quatro meses, na casa modesta de sua tia Rosa Zagalo, e em outras breves passagens posteriores, aqui encontrou motivos para escrever. Ovar, com o decorrer dos dias que iam passando, foi-lhe dando elementos, desde a ida ao Furadouro que o inspira a escrever "O Canto da Sereia", à intensa correspondência enviada e recebida, até à criação das suas obra-primas, "As Pupilas do Senhor Reitor" e "A Morgadinha dos Canaviais". Em Ovar, o seu coração também foi tocado, quando confrontado com os primeiros encontros com Ana Simões, uma das filhas do Tomé Simões, casa que Júlio Dinis passou a frequentar com maior regularidade. "Venceste meu coração com subtil arte de amor", dedicatória gravada a seu pedido num coração de madrepérola, que num momento único e íntimo ofereceu a D. Ana Soares Barbosa Simões, personagem retratada na Margarida de "As Pupilas do Senhor Reitor". Esta jóia resistiu ao tempo, e o acervo de Júlio Dinis encontra-se instalado no Museu de História da Medicina "Maximiano Lemos", na sala José Carlos Lopes, na Faculdade de Medicina do Porto, 6º piso do Hospital de S. João, no Porto. A mesma sorte não tiveram as cartas enviadas por Júlio Dinis, pois D. Ana Simões, sentindo a vida extinguir-se, pediu à sua filha Emília para queimar as mesmas.Que perda irreparável! As cartas contribuíriam para dissipar este grande enigma que alguns teimam em recusar, da possível paixão por D. Ana Simões. Ou então a hipótese mais provável da ida de Júlio Dinis, com familiares e conhecidos, do lugar dos Campos na tradicional e tão popular romaria de devoção à Nossa Senhora da Saúde, Vale de Cambra, "tão alto que a Senhora da Saúde é vista por quem anda no mar. Os pescadores, em hora de aflição, viram-se para a santa e prometem pagar a ajuda divina. É por isso que os peregrinos são conhecidos por «vareiros»". Senão, vejamos, aquando da visita de dois dos seus melhores amigos vindos do Porto, o poeta Augusto Luso e o Custódio Passos, estes não encontram Júlio Dinis na casa dos Campos; estava ausente.Por tudo isto, e até por outros tantos episódios interessantes, existem indicadores claros e evidentes da importância que Ovar veio a ter na vida literária de Júlio Dinis. É bom lembrar de que "Uma Família de Ingleses" se encontrava há anos metido numa gaveta e só perante o êxito que tem "As Pupilas do Senhor Reitor" (no ano de 1866 saiu em episódios no "Jornal do Porto"), após ter regularizado o seu projecto pessoal, ao ser integrado na Escola Médica do Porto onde leccionou, é que finalmente, em 1867, é impresso "Uma Família de Ingleses", que veio a tornar-se outro êxito literário (a par da outra obra "A Morgadinha de Canaviais", que sai nesse mesmo ano).Decorridos que vão quatro anos e nove meses (desde Janeiro de 2004) a Casa-Museu Júlio Dinis continua, lamentavelmente para Ovar, encerrada "temporariamente para obras de remodelação". Recentemente foi deliberado e aprovado pela C.M.O. o ante-projecto de Requalificação e Ampliação do Museu Júlio Dinis - Uma Casa Ovarense, mas é bom lembrar que este objectivo já é do conhecimento público há meses, sem qualquer resolução à vista e, neste já longo compasso de espera, ainda não se vislumbra um final feliz, com todas as consequências da progressiva degradação que este edifício está sofrendo e, da falta de cuidado por uma limpeza regular ao exterior que dignificasse todo este espaço.A obra de Júlio Dinis é "impregnada de bondade e de beleza, tão doce e tão afável, de tal modo conquistou o agrado do público"."O Homem morrera, mas o Escritor resistiu à morte, pois deixou uma obra que teve o raro condão de eternizar a memória do sublime artista que o concebera!"António Ferreira Valente(Ovar)

ANTIGUIDADE OVAR







QUADRAS DE SOARES DE PASSOS

A palavra ao leitor Quadras de Soares de PassosA José Joaquim Gomes CoelhoVinte anos! Ai, bem cedo arrebatado,/O guardaste no seio, oh campa fria!Flor passageira, sucumbiste ao fado,/E seus perfumes, exalou num dia.Quanta ilusão desfeita em seu transporte,/Sonhou glórias talvez! Sonhou amores!Tudo, tudo aqui jaz!/ Carpi-lhe a sorte, /Derramai-lhe na tumba algumas flores.De seguida as mesmas quadras depois da última e infeliz intervenção:Ver o amor arder cedo arrebatado/O perdes-te do seio. Ó campa fria:Flor passageira. Sucumbem ao fado/E seus perfumes egualou n’um diaQuanta ilusão desfeita em seu transporte/Sonhou glórias talvez sonhou adoresTudo tudo aqui jaz carrilhe a sorte:/Derramae lhe na tumba algumas flores:Além desta falta de atenção, ainda podemos reparar outro erro grosseiro na sepultura onde se encontra um dos maiores valores da literatura do Porto e do país, o poeta e romancista Júlio Dinis. O falecimento do irmão de Júlio Dinis, ocorreu a 30 de Dezembro de 1855, mas na pintura dos caracteres recentemente realizado colocam 30 de Dezembro de 1885. este espaço, um “Memorial” da cidade do Porto, fica situado no cemitério de Agramonte, era merecedor de uma maior atenção, e ficaria bem, se procedessem á correcção desta lamentável situação.A título de comentário, na campa do poeta Soares de Passos, autor do “Noivado do Sepulcro”, no cemitério da Lapa, também podemos verificar que dificilmente qualquer pessoa anónima que lhe pretenda prestar homenagem localizará este espaço, pelo quase desaparecimento dos caracteres do mesmo e quadra nem inserida. Realmente estas duas figuras Júlio Dinis e Soares de Passos já tiveram melhor atenção e carinho pela cidade que ambos tanto amaram.Nós por Ovar também temos algumas situações incompreensíveis. Desde o dia 19 de Dezembro de 2003, que a Casa Museu Júlio Dinis está encerrada, deixou de estar acessível ao público em geral, a cidade ficou mais pobre na oferta.Como devem imaginar uma casa fechada demasiado tempo, trás danos irreparáveis, ainda mais como é do conhecimento de quem a visitava, de que o Museu se encontrava com graves problemas de humidade e, apodrecimento das madeiras.Aqui também dirijo um apelo aos responsáveis da nossa autarquia que desbloqueiem as causas, e intervenham o mais célere possível, no início das obras.Lembro que este humilde espaço, é um espaço único, que permite ser o “gaudião” de memórias deste grande romancista, poeta e dramaturgo. Perante a sua precária saúde, a razão da sua estadia, Ovar proporcionou-lhe belos momentos, numa acalmia do seu estado de espírito, que o leva ilusoriamente pensar sentir-se curado.António Ferreira Valente (in «O primeiro de Janeiro»)

JÚLIO DINIS

Ovar
É preciso salvar-se a casa onde viveu Júlio Dinis
Era com este título que Waldemar Lima publicava um texto seu no jornal ‘João Semana’, de 23 de Outubro de 1971, inserido nas comemorações do centenário da morte do ilustre escritor Júlio Dinis. Constituíram um grande sucesso as comemorações promovidas pelo Museu de Ovar, com o patrocínio da Câmara Municipal local.Na passagem do 136º aniversário da morte de Júlio Dinis — ocorrida em 12 de Setembro de 1871, na Rua Costa Cabral, no Porto, com 31 anos de idade — por que não trazermos à memória colectiva o centenário do seu falecimento, em ligação com o presente, em homenagem a este grande vulto da literatura portuguesa (…), que viveu dentro dos seus muros e imortalizou nas ‘Pupilas’ e na ‘Morgadinha’ algumas figuras vareiras.Júlio Dinis foi, também, como sua mãe e irmãos, uma das vítimas mortais da tísica, doença que assolou o século XIX.É, ainda, do ‘João Semana’, no relato destas comemorações: (…) “Por volta das 10 horas (de 12 de Setembro de 1971), no jardim dos Campos, junto do monumento e a poucos metros da casa onde passou algum tempo entre nós, realizou-se uma sessão, foi palestrante o sr. Dr. Eduardo Lamy Laranjeira, onde, finda a apreciada conferência, seguiu-se uma visita à casa, onde Júlio Dinis viveu, que ainda mantém, na quase totalidade, o mobiliário de então, religiosamente conservado.Associando-se às comemorações do centenário, o Rotary Clube de Ovar, numa reunião que decorreu com muito entusiasmo e bem participada, foi sublinhada uma passagem de Júlio Dinis, numa carta que, lamentavelmente, se perdeu, mas registada na memória da prima Maria Zagalo, sobre a sua passagem por aquela casa e Ovar como “os quatro meses mais felizes da minha vida”.(…) Destaque-se, também, a presença de uma bisneta do Dr. João da Silveira, o médico que terá servido de modelo ao romancista para a figura do ‘João Semana’ nas ‘Pupilas’.Seguiu-se uma brilhante conferência, proferida pelo palestrante da noite, o sr. Dr. José Macedo Fragateiro, que falou do brilhante escritor, cujo centenário se comemorava. Como diria Waldemar Lima, ao ‘João Semana’, “Ovar orgulha-se de ter estado aqui mais que uma vez o insigne romancista, ter sido a terra-berço do seu muito ilustre pai José Joaquim Gomes Coelho, em 22 de Agosto de 1802”. (…) Já há anos o ilustre Professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Dr. António Cruz, apoiava (como já o fizera em 1924 o Professor Dr. Egas Moniz e, posteriormente, Manuel Cascais de Pinho, entre outros), a transformação daquele pequenino ‘solar’ na Casa-Museu Júlio Dinis. Todavia, este e outros apelos goraram-se, ou, como diria também o Dr. João de Araújo Correia, “em Ovar, aquela casinha de porta e janela no antigo largo dos Campos, onde Júlio Dinis esteve a ares e onde escreveu, como quem pinta do natural os prinicipais quadros das ‘Pupilas’, ainda hoje se pode visitar. Mas está segura, para todo o sempre a cama e a casinha?”A Casa-Museu Júlio Dinis, inaugurada em 1996, está desde Janeiro de 2004 encerrada ao público, para “obras de remodelação” e assim permanece, com todas as sequelas daí resultantes.É bom lembrar de que, sobre o processo da definição da casa, a Câmara Municipal de Ovar, na presidência de Guedes da Costa, soube conduzir em franco diálogo as negociações com os proprietários, que se traduziram na doação da ‘casa’ e parte do seu recheio à Câmara, estando a Casa-Museu Júlio Dinis à disposição do público desde 1996.Depois do êxito alcançado com a atitude nobre da doação da ‘casa’, é de esperar o que, com o mesmo espírito de diálogo entre a Câmara, com os actuais proprietários, resultem na doação do terreno anexo e o início das obras da projectada remodelação da Casa-Museu Júlio Dinis (…), onde todos terão ocasião de recordar o homem que se deixou prender por esta terra vareira e, com a sua caneta de ouro, teceu os elogios da sua gente e contou as belezas naturais.Fatalmente, somos um povo sem memória e tendemos a desconsiderar o que é nosso, é preciso não esquecer, contudo, que a relação de Ovar com esta casa sempre foi complicada: olhamos para trás e reparamos nos anos que foram necessários até à inauguração em 1996. (…) Júlio Dinis foi simples, foi inteligente, foi puro. Trabalhou, sonhou, criou, morreu – o seu espírito vive, é imortal na memória dos homens. Que os vareiros saibam honrar a sua memória, como Júlio Dinis soube amar Ovar.António Ferreira Valente (Ovar)

EVANGELHO

Ao Evangelho prégou… o Sr. Padre António da Rocha Reis…
O templo da Graça achava-se belamente adornado e enchiam-no completamente centenas de fiéis, amigos e família do novo sacerdote, que no fim da Missa lhe foram oscular as mãos.
Às 2 horas da tarde, ofereceu o Padre Torres, em sua casa, um lauto banquete ao clero e muitos amigos de Ovar e de fora…
Ao champanhe brindaram ao novo sacerdote os Srs. Padres António da Rocha Reis e Manuel Alves de Amorim, Manuel Rodrigues Barbosa, Pároco de Ovar, Padre Maia, Padre Fonseca Soares, Padre Sanfins, Carlos Nunes, Manuel Ferreira Dias, Manuel Maria Correia Vermelho, Alfredo Rodrigues da Fonseca…
No fim ergueu-se o Padre Torres e agradeceu em fases comovidas a quantos o ajudaram a conquistar o lugar que hoje tem nas fileiras do clero…
30.08.14
ÓBITO
O MUNDO CATÓLICO ESTÁ DE LUTO – PAPA PIO X
Sua Santidade Pio X faleceu, nasceu a 2 de Junho de 1835 em Riese, na Itália. Logo no dia seguinte foi baptizado e recebeu o nome de José Melchior Sarto. Sua família era humilde, apenas remediada. Seu pai era empregado municipal e sua mãe ocupava o tempo que lhe sobrava dos cuidados domésticos, em trabalhos de costura…
- DEU Á LUZ
A virtuosa esposa do Sr. António Augusto Freire de Liz.
- LISTA DE PRENDAS DO PADRE TORRES
- Lista de prendas em casa do Padre Torres, no dia da sua Missa Nova…
06.09.14
A GUERRA
A Alemanha está em guerra contra a França, a Bélica, a Rússia, a Inglaterra e o Japão; a Áustria está em guerra contra a Sérvia e Montenegro; as outras nações da Europa se não estão em guerra, estão pelo menos preparadas para ela…
Para quê?
Para a mais horrível carnificina, como jamais houve no mundo. Até agora morreram já talvez centos de mil homens; milhares de outros enchem os hospitais; foram bombardeadas importantes cidades…
Os bárbaros devastam e incendeiam Louvain.
- Anvers, 28 – Na terça-feira à tarde um corpo do exército alemão, depois de sofrer um revês, retirou em desordem sobre a cidade de Louvain.
… Os seus habitantes receberam ordem de abandonar as suas residências. Uma parte dos homens foi feita prisioneira. As mulheres e as crianças foram metidas em comboios, ignorando-se qual o seu destino.
Os soldados alemães, munidos de bombas, deitaram fogo a toda a parte da cidade. A esplêndida Igreja de S Pedro, os edifícios da Universidade, da Biblioteca e dos estabelecimentos científicos, foram entregues às chamas.
Vários notáveis da cidade foram mortos a tiro.
Esta cidade, de 45.000 habitantes, a metrópole intelectual dos Países Baixos desde o século XV, não é agora mais que um montão de cinzas!
Este ultraje aos direitos da humanidade não tem precedente na História.
- OS ALEMÃES AVANÇAM
Paris, 29 – A imprensa inglesa diz que os alemães se apoderarm de Mezières, avançando para Saint-Quintin.
- A ESQUADRA ALEMÃ PERDE CINCO UNIDADES
Londres, 28 – O Press Bureau, informa que a esquadra inglesa fez esta manhã um raid na baía de Heligóland e afundou dois cruzadores e dois contra-torpedeiros alemães…
- O JAPÃO NO CONFLITO EUROPEU
Londres, 27 – Nos Estados Unidos produziu uma péssima impressão a intervenção do Japão no conflito europeu…
- A DEFESA DE PARIS
Paris, 28 – O Governo resolveu pôr em estado de defensiva o campo entrincheirado de Paris, proibindo a entrada de forasteiros nesta cidade.
- ANIVERSÁRIO
Há-de fazê-los no dia 10, a menina Margarida da Silva Luzes, irmã do Reverendo Padre Torres.
- BAPTISMO
Baptizou-se no dia 29 de Agosto na paroquial de Ovar, um filho do digno Escrivão de Direito Sr. António Augusto Freire de Liz e de sua esposa D. Maria Eduarda Camossa Ferraz de Liz.
Foram padrinhos a Sr.ª. D. Maria Zulmira Camossa Ferraz de Abreu e o menino Eduardo António Ferraz de Liz, avó e irmão do neófito que recebeu o nome de Augusto Cesar. Foi ministrante o Reverendo Pároco.
- ANIVERSÁRIO
Fez anos no dia 30 de Agosto o distinto clínico desta vila, Sr. Dr. Salviano Pereira da Cunha e Costa.

ESTADIA-PADRE TORRES

ESTADIA – PADRE TORRES
Esteve há dias nesta vila, o nosso prezado amigo, Prefeito no Colégio de Penafiel, Padre Manuel José Ferreira Torres.
- Professora Oficial, D. Gracinda Augusta Marques dos Santos.
02.08.14
ORDENS DE PRESBITEROS – PADRE FONSECA SOARES
Receberam ordens de presbíteros os nossos conterrâneos, Srs. Padre António Augusto da Fonseca Soares e Manuel José Ferreira Torres, Ad multos annos.
- Sr. João Maria da Fonseca e Pinho, distinto farmacêutico, em S. Vicente de Pereira.
- Escrivão de Direito. Sr. Ângelo Zagallo de Lima.
- MISSAS NOVAS – PADRE FONSECA SOARES E PADRE TORRES
Mais dois presbíteros novos contam a Igreja de Ovar.
… Estão prestes a subir ao altar, os Srs. Padres António Augusto da Fonseca Soares e Manuel José Ferreira Torres.
O Padre Soares cantará a sua primeira Missa na Igreja Matriz, no próximo Domingo, pela 10 horas da manhã.
O Padre Torres, celebrará também solenemente pela primeira vez, no dia 16, na capela de Nossa Senhora da Graça…
09.08.14
NEGOCIANTE DE PANOS
Sr. João da Silva Ferreira
- D. Rosa Pereira dos Santos, irmã do nosso amigo Padre Fonseca Soares.
- D. Sofia Pinto de Oliveira Vaz e Vidal, esposa do Sub-Inspector Escolar, Sr. José de Castro Sequeira Vidal.
- ESTADIA – PADRE TORRES
Padre Torres, já se encontra entre nós vindo de Penafiel, onde é professor no Colégio do Carmo.
- MISSA NOVA – PADRE TORRES
É no próximo domingo que pela primeira vez subirá os degraus do altar o neo-presbítero Manuel José Ferreira Torres. A Missa será cantada na Capela de Nossa Senhora da Graça e ao Evangelho subirá ao púlpito o Reverendo Padre António da Rocha Reis, de Penafiel, amigo do Reverendo Presbítero. A Missa deve principiar às 10 horas.
- ÓBITO
No dia 28 do mês passado, em Espinho, com a idade de 85 anos, a Sr.ª. Maria Ferreira Bastos, mãe do Abade de Esmoriz, Padre António André de Lima e avó do Presbítero Padre Manuel Rodrigues Pinto Pinhal, que tencionava celebrar a sua primeira Missa no dia 2 do corrente.
- A GUERRA (1ª GRANDE GUERRA MUNDIAL)
À hora em que escrevemos está prestes a rebentar em toda a Europa o terrível flagelo da guerra. Há grande expectativa nos espíritos e como prenuncio, de graves acontecimentos, passa um arrepio de desassossego e temor em todas as nações europeias.
16.08.14
ANIVERSÁRIO
No dia 23, o Padre Manuel Lyrio.
- Foi nomeado Administrador do Concelho de Ovar, o Sr. José Augusto Gomes, digno oficial do exército.
- MISSA NOVA – PADRE FONSECA SOARES
Celebrou, como anunciamos, a sua primeira Missa, no passado Domingo, o nosso presbítero, Padre António Augusto da Fonseca Soares, com assistência de todo o clero da freguesia e dois presbíteros de fora, amigos e condiscípulos do neo-celebrante.
A Missa foi a da festa do Sagrado Coração de Jesus, que celebrava nesse dia, com todo o esplendor.
Foram presbíteros assistentes os Reverendos Pároco e o Sr. Padre António Joaquim de Oliveira Leite e acólitos os Reverendos Padre Manuel Alves Amorim, de Lamas, e Manuel José Ferreira Torres.
Tocou no coro a orquestra «OVARENSE» e ao Evangelho pregou o Padre António Santos Pinto dos Santos…
23.08.14
LÁ POR FORA – A GUERRA
… Está quase que toda a Europa em guerra aberta… É a Inglaterra batendo-se no mar com a Alemanha; é a Alemanha mandando os seus exércitos contra a França; é a Rússia mobilizando a multidão dos seus soldados contra a Alemanha; é a Bélgica defendendo heroicamente o seu minúsculo território contra a invasão alemã…
- Jornal «OVARENSE», Sr. António Augusto Veiga.
- MISSA NOVA – PADRE TORRES
Acolitado pelos seus amigos Padres António Augusto da Fonseca Soares e Manuel Alves de Amorim, de Lamas, e assistido pelo Reverendo Pároco e Padre António Sanfins, celebrou no passado Domingo solenemente a sua primeira Missa, na Capela de Nossa Senhora da Graça, o nosso prezado amigo Padre Manuel José Ferreira Torres.
No coro tocou a orquestra «OVARENSE» e cantou a Missa Capocci.

CARTÓRIO

- CARTÓRIO
Acaba de mudar o seu Cartório do 5º Ofício, dos Paços do Concelho, conforme lho ordenou a Câmara Municipal, para uma casa em frente àquele edifício, o Sr. Amadeu Soares Lopes.
- FARMÁCIA BAPTISTA
Fixou sua residência em Ovar, onde abriu Farmácia, mesmo nas Pontes, o Sr. António Silva, antigo praticante da acreditada Farmácia Baptista.
- PESCA - FURADOURO
Tem havido trabalho de pesca do Furadouro.
28.05.14
ELEIÇÕES DE DEPUTADOS
Consta que se realizam em meados de Agosto que vem.
11.06.14
Professor Oficial, Sr. José Marques da Silva Terra.
- Foi transferido da Escola de S. Miguel para a do Castelo, o Sr. António Augusto Correia Baptista (adoentado).
- ANIVERSÁRIO
No dia 14, o Sr. Dr. Pedro Chaves, Oficial do Registo Civil e deputado às Cortes.
- DESASTRE PIROTECNIA
Deu-se no dia 6, em Cimo de Vila, uma explosão de clorato, em casa de pirotecnia do Sr. Manuel da Cunha Sampaio, na ocasião em que era manipulado por este pobre homem, que ficou horrivelmente queimado e em perigo de vida.
A oficina foi pelos ares…
18.06.14
ÓBITO
No dia 8 do corrente, o infeliz Manuel da Cunha Sampaio, vítima da explosão de clorato…
28.06.14
ANIVERSÁRIO
Fez anos no dia 23, o Reverendo Padre António Sanfins Pinto dos Santos.
- Estiverem em Ovar na semana passada, o Sr. Cónego Adelino Correia de Aguiar e sua Exma. irmã D. Maria Emília de Aguiar.
- CASAMENTO
No dia 16, na Igreja paroquial de Ovar, o inteligente e hábil regente da Filarmónica «OVARENSE» Sr. Artur Rodrigues da Silva Nabia e a menina Rosa Rodrigues Pereira.
- JORNAL OVARENSE – Sr. Plácido Veiga
- ANIVERSÁRIO
Passou no dia 23. A antiga professora primária Exma. Sr.ª. D. Alcinda Camelo Braga, esposa do Sr. Delfim Braga.
- Director do Correio de Ovar, o Sr. Francisco P. Teixeira Guimarães.
05.07.14
LOUÇA FINA
De porcelana da Vista Alegre e Sacavém, e grossa de Aveiro e Barcelos, vende-se por preços razoáveis, a Sr.ª. Maria Borges de Pinho, Mácabella, que acaba de montar estabelecimento, na Poça, ou Rua Visconde de Ovar, nº 67.
12.07.14
ANIVERSÁRIO
No dia 19, faz anos o Sr. José Vieira Leite, irmão do nosso amigo Padre Vieira Leite.
- Partiu para Lisboa, para sofrer uma operação cirúrgica, o nosso amigo Sr. José Maria Fernando da Graça.
- Sr. Frederico Camarinha Abragão, Escrivão de Direito desta Comarca.
19.07.14
Sr. João Ferreira Coelho, Escrivão de Direito desta Comarca.
- Concluiu este ano a sua formatura em Medicina na Universidade de Lisboa o Exmo. Sr. João Baptista Nunes da Silva…
- BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE OVAR
Acabam de ser adquiridas uma nova bomba e uma escada «Magirus», pela benemérita Associação desta vila.
26.07.14
NEGOCIANTE DE CARNES DOS SANTOS
Sr. Zulmiro Rodrigues dos Santos
- ESTADIA – PADRE TORRES
Esteve há dias nesta vila, o nosso prezado amigo, Prefeito no Colégio de Penafiel, Padre Manuel José Ferreira Torres.
- Professora Oficial, D. Gracinda Augusta Marques dos Santos.

DESASTRE -MORTE

- DESASTRE – MORTE
Deu-se com esta consequência na linha de ferro na altura da Ponte-Reada.
O Comboio-rápido da 1,30 da tarde do dia 1 do corrente, apanhou, matando-o instantaneamente, o soldado do 3º batalhão de infantaria 24, José Francisco Rodrigues, natural de Maceda, que seguia para sua casa a passar lá alguma horas com sua família. O infeliz era casado e diz-se que a mulher ao saber do desastre, enlouquecera…
- CINEMA EM BENEFICIO
No dia 19 serão dadas sessões cinematográficas no «Salão HIGH-LIFE», em benefício da caixa da subscrição aberta para a realização da Semana Santa.
- PROCISSÃO DOS PASSOS
No dia 22, realiza-se com toda a imponência a Procissão dos Passos nesta vila, se o tempo o permitir.
- «DISCUSSÃO»
Publicista, Dr. Almeida Medeiros, já para os 80 anos de idade.
02.04.14
RECEBEDOR DO CONCELHO
O Sr. António Valente Compadre
14.04.14
SEMANA SANTA
Foram imponentes pela majestade e assistência as cerimónias da Semana Santa nesta vila. Correu tudo com tanta ordem e brilho…
Tomaram parte nestes actos de culto as duas musicais de Ovar, que se houveram admirável no desempenho do papel que lhes coube.
Nas capelas por elas organizadas entraram alguns músicos e cantores amadores desta vila… Srs. Dr. António Pereira da Cunha e Costa, violoncelista, Dr., Marcos Matos e Elísio Matos, violinistas, António Augusto Freire de Liz, Padre Borges e Augusto da Costa e Pinho, cantores.
Os oradores tanto da Quinta como de Sexta-Feira, estiveram à altura do assunto e foram o Reverendo Gaspar Roriz, de Guimarães, e o Reverendo Pároco de Licêa, bispado de Coimbra…
30.04.14
- D. Maria Graça de Jesus, distinta Professora Oficial de Cabanões.
- TEATRO OVARENSE - VISITA.
Está anunciada para Sábado a esta vila do grupo dramático dos estudantes de Leiria, que vem dar uma récita no «TEATRO OVARENSE».
07.05.14
Contém Foto na 1ª página «Lavadeiras no rio Caster, na ponte da Rua Elias Garcia).
- ANIVERSÁRIO
No dia 8, o Sr. José Pereira da Cunha e Costa, enfermeiro do Hospital.
No dia 14, o menino Mário Freire de Liz, filho do digno escrivão de Direito, Sr. António Augusto Freire de Liz.
- TEATRO OVARENSE - ACADÉMICOS DE LEIRIA
Deram no Sábado último a anunciada récita no TEATRO OVARENSE, os académicos de Leiria, nesse dia de visita a Ovar, donde retiraram no Domingo bem impressionados pelo grato acolhimento para com eles, havido nesta terra, que sempre timbrou de carinhosa e hospitaleira para com os estranhos.
- FEIRAS
A Câmara de Ovar, no intuito louvável de aformosear esta vila, vem de há tempos trabalhando no aformoseamento do Largo Almeida Garrett (antigo Largo do Mártir). Encontra-se já devidamente arborizado e é cortado em forma de cruz por duas formosas avenidas. Procede-se também à terraplanagem do mesmo largo.
Por tal motivo, a Câmara na sua sessão de 15 de Abril último, resolveu transferir a Feira dos Doze, de cada mês, bem como as feiras de gado suíno que se costumavam aí realizar todos os anos nos domingos do mês de Novembro, para os terrenos que ficam junto ao novo Matadouro Municipal.
14.05.14
SUA SANTIDADE PAPA PIO X
- Padre Benjamim Grandim, de Esmoriz.
- «OVARENSE», Sr. António Augusto Veiga.
21.05.14
Contém fotos: OVAR – Casa da Central geradora da Iluminação eléctrica; Os dois motores verticais, e Pessoal empregado…
- ANIVERSÁRIO
No dia 14, o menino Mário, filho do Sr. António Augusto Freire Liz.
No dia 19, o Reverendo Cónego Adelino Correia de Aguiar, Protonotario Apostólico, de Carregosa.
- CARTÓRIO

OVAR

Hoje dia 1, o Padre Manuel Vieira Leite
No dia 6, o menino José Lamy, filho do Sr. Carmindo Lamy.
No dia 7, o Tenente Zeferino Ferraz de Abreu
- NEGOCIANTE DE PESCADO
O Sr. João de Oliveira Franco
- NEGOCIANTE DE VINHOS
Manuel Ferreira Dias
- ESTRADA DE OVAR A PARDILHÓ
Dizem-nos terem começado já os trabalhos da abertura desta nova estrada, que parte do Casal e passará pelo sítio do Areeiro.
- DÉCIMAS
Está aberto o cofre da Recebedoria deste Concelho para a cobrança da décima predial, industrial, sumptuária e de rendas de casa.
- REGENTE DA FILARMÓNICA OVARENSE
Professor de música, Sr. Benjamim Nabia.
- REGENTE DA MÚSICA «BOA UNIÃO»
Sr. António Rodrigues Capôto.
- REPARAÇÃO DE RUA
Tem andado em reparação, na Rua Visconde de Ovar, uns pedaços da estrada.
- JORNAL «A PÁTRIA»
- ÓBITO
Morreu o João Polaco. No pardieiro onde vivia na Rua da Fonte, sucumbiu na noite de 20 para 21 de Janeiro. Sem assistência, sem quatro vinténs para uma dieta, sem recomendação para baixar ao hospital que para ele não pôde chamar-se misericórdia, sem carinhos nem afagos de família, numa enxerga miserável, lá se foi aos estragos duma nevrite, talvez…
João era demente …
15.02.14
ANIVERSÁRIO
No dia de Março, o Sr. António Lopes Pinto Palavra, importante negociante de pescado desta vila.
- Padre António Augusto Rodrigues Faneco.
- Dr. António Sobreira, escrivão de Direito em Alcobaça, filho do advogado e notário desta Comarca, Dr. António dos Santos Sobreira.
- BAPTISADO
No dia 1 do corrente, foi levado à sagrada fonte um filho do paroquiano desta freguesia, António Martins, e sobrinho do nosso ilustre amigo Ricardo Ribeiro, distinto fotógrafo amador desta vila.
- COMERCIANTE INDUSTRIAL
Sr. Abel Guedes de Pinho
- Professor primário, Sr. António Augusto Correia Baptista.
- JORNAIS LOCAIS:
JOÃO SEMANA, DISCUSSÃO, PÁTRIA, OVARENSE.
01.03.14
ÓBITO
Padre Luís Campo Santo
Morreu na Bélgica, no exílio…
- ANIVERSÁRIO
Fez anos, ontem, o Sr. Manuel Lopes Ribeiro, ausente no Rio, filho do falecido cortador de carnes, Francisco António Lopes e de D. Rosa Gomes da Silva Ribeiro.
- ÓBITO
Em Cimo de Vila, faleceu no dia 22 de Fevereiro com 100 anos de idade, D. Prudência Rosa, enjeitada, que teve a dita de legar à sociedade até à data do seu falecimento, 6 filhos, 24 netos e 14 bisnetos.
- ESCOLA MÓVEL
O governo acaba de dotar esta vila com uma escola, deixando ao critério do digno inspector, Sr. José Vidal, a escolha do local para seu funcionamento.
15.03.14
PROCISSÃO DOS TERCEIROS
Com um dia razoável, sem Sol, mas sem chuva nem vento, realizou-se no próximo passado dia 8 a procissão dos Terceiros nesta vila, a que concorreram milhares de pessoas da freguesia e concelho.
- DESASTRE – MORTE

JOÃO SEMANA

Oh brancas pombas que da terra erma
Á vastidão celestial subis,
Guiais os voos d’esta minh’alma enferma
N’amena estrada por que vós seguis.

Oh alvas pombas que partis saudosas
Pelo cerúleo, luminoso véu,
Deixai da terra esses vergeis de rosas…
Talvez se possa ser feliz no céu!...
Por E.V.S.
- TROUPE DOS REIS
Bastante animadas as duas noites de 5 e 6 do corrente com os descantes dos Reis pelas ruas da vila. A Troupe de sócios da música Ovarense apresentou-se bem ensaiada, com canto e letra muito lindos…
- DOENTE
Tem passado bastante incomodado de saúde o importante industrial desta vila, Sr. José da Silva Ribeiro.
01.02.14
ANIVERSÁRIO LUCTUOSO
Faz hoje 6 anos que foram assassinados no Terreiro do Paço, em Lisboa, o rei de Portugal, D. Carlos e seu filho, D. Luís Filipe.
Nesse mesmo dia, lugar e hora foram executados os regicidas Manuel Buiça e A. Costa.
- ANIVERSÁRIO
No dia 17 de Janeiro, o secretário da Câmara Municipal, Sr. Abel Augusto de Sousa e Pinho.
No dia 19, o Sr. Isaac Júlio da Silveira, director da «DISCUSSÃO».
No dia 21, a Sr.ª. D. Gracinda Augusta Marques, ilustrada professora oficial e Directora da Escola Primária do Conde Ferreira.
No dia 26, o Reverendo Pároco de Ovar, Dr. Alberto de Oliveira e Cunha.

JOÃO SEMANA

João Semana

Publicação Quinzenal ANO I – OVAR, 1 DE JANEIRO DE 1914 – Nº 1
Director e Editor: J. M. Maia de Resende
Proprietário e Administrador: M. Ferreira Regalado
Redacção e Administração: Largo de S. Miguel – Ovar
Aprovado por S. Ex.ª. Rever. Mo o Sr. D. António Barroso, venerando Bispo do Porto
Composto e Impresso na Typografia a vapor do Padre Villela & Irmão – Braga – 10 reis

01.01.14
JOÃO SEMANA
Não é este um nome desconhecido em Ovar, nem, posto no frontispício dum jornal, pode ser achado como um nome de guerra… – Mas então quem era o João Semana? Perguntará alguém. É um nome literário, dizemos nós, dos mais atraentes que se lêem nas páginas dos romances portugueses … Ouçam o que diz o Almanaque de Ovar para 1913: «É esta uma das figuras mais simpáticas e mais fielmente copiadas do natural que aparecem no lindo poema em prosa que todos aí conhecem sob o nome de “Pupilas do Senhor Reitor”.
Júlio Diniz, o suave paisagista das lindas aldeias do norte de Portugal, o terno colorista das belezas rústicas desses povoados humildes, o que mais tem encarnado no romance a feição sentimental da genuína alma popular portuguesa, achou um dia em Ovar esse tipo, que ele retratou em tamanho natural, em corpo e alma, fielmente.
João Semana, que todos os amantes de boa leitura, tanto devem ter amado e admirado nas páginas das “Pupilas…”, obra-prima da nossa literatura: essa bondosa e popular figura de médico, que os seus doentes consultavam sem cerimónia, na rua, ao vê-lo passar-lhes à porta; quase comovia ante a pobreza e miséria e ocultava debaixo de umas aparências de homem brusco e rude a mais adorável delicadeza de sentimento, existiu, aí…
Desta rudeza franca e desta delicadeza alma que são apanágio dos bons e dos sinceros, é que nós queremos seja espelho o nosso humilde semanário, aliados à intransigência anti-modernista de João Semana.
01.01.14 (QUINTA)
A IMAGEM DE NOSSA SENHORA DA GRAÇA DE OVAR
Frei Agostinho de Santa Maria refere no seu Marial uma interessante lenda acerca da Imagem de Nossa Senhora da Graça. Diz ele que na vila de Ovar de cima, bispado do Porto, logo abaixo da Igreja Matriz, entre dois regatos, junto da ponte onde estes se incorporam, apareceu uma imagem de Maria Santíssima a que deram o nome de Senhora da Graça. Aparecera a Imagem entre espessa moita de árvores, sobre um penedo. Aos pés tinha uma inscrição em que se lia que a Senhora ordenava que edificassem um templo, que ela em paga livraria o povo de Ovar da peste que então grassara no país. Os moradores da vila muito contentes, foram ter com o pároco, contar-lhe o que viram e este resolveu que a imagem fosse conduzida para a Igreja Matriz. Assim fizeram. Mas no dia seguinte a imagem tornara a aparecer entre as árvores junto à ponte. Aconteceu isto por diversas vezes. Convenceu-se então toda a população da vila que Nossa Senhora desejava efectivamente que sua Imagem ficasse ali e trataram de construir uma capela. Ali começou a Santíssima Virgem a ser venerada com grande devoção a amor. A capela era muito linda. Toda guarnecida interiormente de azulejo, tinha o tecto decorado com belos quadros bíblicos de bom pincel, em sola. Os dois altares laterais bem como os principais eram de talha rica, que ainda hoje se conserva na nova capela edificada há poucos anos no sítio onde existiu a outra que esse tempo da nova edificação foi demolido. A Imagem já está ainda linda e perfeita não obstante ter sido em tempos despojada de certos adornos que o povo tirava e levava como relíquias.
15.01.14
AS POMBAS
Voai oh pombas, caminhai ligeiras,
Correi velozes nesse eterno véu
Levai convosco, gentis mensageiras,
Esta minh’alma que procura o céu!

Levai convosco para lá minha alma,
Do vendaval esta batida flor,
À região auri-fulgente e calma
Para a morada d’um eterno amor!

Correis dispersas entre azul e linho,
O Sol doirado ides além saudar,
Voltai contentes ao materno ninho
Quando ele à tarde s’esconder no mar.

JOÃO SEMANA

João Semana - 19.03.1936 FIGURAS TIPICAS DE OVAR

Zézinho da Ribeira


Faleceu e foi sepultado no dia 9, o Zezinho da Ribeira, de Ovar, que toda a gente aí conheceu na sua romagem quotidiana de mendigo em busca do pão da caridade, através das ruas da vila de Ovar. Andrajoso, de bordal encardido às costas, pau de apoio de seus passos na mão direita e na esquerda, sempre à altura do peito segurando o cordão da saca, dois ou mais pauzinhos, um arremedo de carapuça sob o velho chapéu na cabeça, o Zezinho aí passou o calvário da sua vida na inocência inconsciente de quem nunca na existência passou da primeira infância. O seu cérebro não acompanhou o desenvolvimento físico do Zezinho que morreu velho e criança!
Foi por isso que todos o estimaram e animaram como se estimam e animam crianças que nos divertem, sem nunca nos cansarem. O Zezinho era assim, sem malícia de espécie alguma, ria, cantava, dançava, ao som imaginário da sua imaginária banza improvisada no inseparável punhado de pauzinhos. Como criança, apanhava e levava para casa quanta farrapada via no seu caminho e podia levar. Quanto farrapo de gravata lhe ficasse a jeito, ele transportava para o seu poiso na Ribeira e não raro punha dois e mais desses trapos em volta do pescoço. Todos implicavam com o Zezinho, que, quando se sentia mais perseguido, desatava a chorar, num berreiro de criança. Liberto dos importunos passava do choro à gargalhada e por vezes desta ao insulto tal qual como as crianças que se vingam de quem as incomoda, chamando-lhes nomes.
O Zezinho morreu! E a simpatia popular que sempre o acompanhou na vida miserável e inocente, não o abandonou agora. O seu cadáver foi amortalhado com decência e o seu enterro teve imponência e pompa. Um grupo de raparigas, suas vizinhas prepararam-lhe essa derradeira homenagem, angariando donativos para o seu funeral, em que tomou parte uma banda de música. O povo da vila de Ovar ocorreu em chusma à passagem do préstito fúnebre em que o Zezinho foi conduzido à Igreja Matriz de Ovar e ao cemitério. O pobre mentecapto e mendigo teve como os grandes da terra o seu trono à beira do seu túmulo…
Que descanse em paz, o pobre do Zezinho da Ribeira, de Ovar!...

PROSÉRPINA

JANELA DO TEMPO QUE PASSA…

NOSTÁLGICA

Amorim, anda cá, faz-me um favor, olha, vai à loja da Marquinhas comprar-me arroz, sabes, hoje não posso mesmo das minhas pobres pernas, teimam em não andar.

Amorim, deixou o jogo da bola de rua, e lá foi, como já era habitual, em grande correria satisfazer o pedido, da Tia Prosérpina, que já trás consigo o peso de 80 anos de idade ainda há pouco completos.

A Tia Prosérpina, viúva já lá vão uma dúzia de anos, vive só, sem filhos, conta somente com a solidariedade dos vizinhos que nutrem um grande afecto e carinho por esta simpática senhora.

Vive muito pobremente, usufrui de uma reforma de miséria, que mal dá para os medicamentos, quanto mais para a sua alimentação. Vive numa casa já muito tocada pelo tempo, bastante húmida, que não conhece obras de manutenção já há muito tempo, o que contribui para aumentar as dores insuportáveis dos ‘ossos’ das suas pernas.

A Tia Prosérpina ainda se recorda dos momentos em que no rio dos Pelames, (sem o brilho desses tempos, hoje tudo à volta é uma desolação) lavava a roupa das senhoras, e a sua voz bem afinada cantarolava as canções da época. Era contagiante, as outras lavadeiras que ocupavam cada uma a ‘suas’ pedras no rio de cima e no de baixo, também entravam nesta ‘desgarrada’ cantando, rindo a bom rir. E quem estivesse na estação do caminho-de-ferro ouvia este belo cantar e reconheciam logo a voz da Tia Prosérpina.

Casou, muito nova, era costume das raparigas da sua juventude, nesses tempos tão difíceis. Conheceu o Manuel quando este se deslocava com regularidade para os moinhos de Ul, Oliveira de Azeméis, com a carroça carregada de sacos de milho, de clientes, para a moagem em moinho alugado (a clientela era tanta que tinham de socorrer desta alternativa, onde existiam inúmeros moinhos de água em Ul, hoje recuperados, em contraste, com os existentes nos Pelames em ruína), e por onde permanecia até que a moagem estivesse completa. No percurso, cruzava em Madaíl (Ul faz fronteira a norte com Madail) onde metia conversa com a então jovem Prosérpina, de quem nunca mais tirou de vista, e assim repentinamente começa uma relação… recorda esses tempos com saudade.

Mas, há sempre um mas, o Manuel com um copito a mais, transformava-se num outro homem ficava nervoso, completamente modificado batia-lhe mal entrava em casa.

Com o tempo, Tia Prosérpina, adivinhando o estado do marido, já se refugiava em casa de uma vizinha, a uns poucos metros dos moinhos, até que as coisas arrefecessem.

Fora estes momentos, o Manuel era um bom trabalhador, como o recorda com saudade, a levada do rio estava sempre um esmero, que o digam quem o conhecia, principalmente as lavadeiras que frequentavam o rio dentro da sua propriedade.

Quantas memórias lhe vêm à mente, nos Moinhos quantas noites passou sem conhecer cama e o descanso, atenta à moagem da farinha, uma vida difícil, mas a doença do marido, a tuberculose o levou ainda bastante novo, não o merecia, dizia a Tia Prosérpina muitas vezes para si mesma, “mas Deus lá sabe porquê”.

A partir daqui a vida complicou, faltava-lhe as forças, tudo se desmoronava. Com o Manuel apesar daqueles momentos de mau génio tudo se ultrapassava, agora… Estava assim nestes pensamentos, quando aparece o jovem Amorim, que logo regressa ao jogo da bola. Lá foi fazer uma sopita para enganar o estômago, pois mais nada havia.

«Quantas vidas sós depois de uma vida de trabalho, se multiplicam por aí à nossa volta, que nem reparamos de tão apressados que andamos, ou pior ainda, tantas vezes com indiferença, e que hoje só vivem de recordações.

Outras vezes ficam a murmurar consigo mesmas, “ao menos se Deus me levasse”» …

António Ferreira Valente

Rua Bento Jesus Caraça, 33

3880-153 OVAR

Telef.: 256.575.984

JÚLIO DINIS
















MEMÓRIAS JOÃO SEMANA


segunda-feira, 25 de maio de 2009